“Habilidades de leitura devem ser trabalhadas do 1º ao último ano”

Foi isso que o Prof. Dr. William Roberto Cereja defendeu durante o Encontro Pedagógico “Interpretação de textos e leitura de imagens”, realizado na EEFMT Profª. Maria Theodora Pedreira de Freitas, da FIEB, no dia 27 de setembro. Aberto a educadores e demais interessados, o evento reuniu mais de 100 pessoas.

Formado em Língua Portuguesa e Lingüística, Licenciado em Português, Mestre em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Lingüística Aplicada e Análise do Discurso pela PUC-SP, Cereja é autor de diversos livros didáticos. Durante o Encontro, demonstrou aos professores que uma boa aula de leitura não precisa, necessariamente, ser feita de textos longos. Com base nisso, apresentou alternativas não-verbais muito interessantes, como pinturas, fotos, cartuns, quadrinhos, cinema etc. “Leitura, como diz o ENEM, é uma arquicompetência: é a competência da competência”, pontuou.

A cada exemplo, o especialista ia fazendo a leitura junto aos educadores, apontando as habilidades que o exercício proporciona, como levantamento de hipótese, identificação, interpretação etc. Na posição de alunos, os professores foram fazendo descobertas e interagindo entre si e com o palestrante sobre novas ideias para aplicação em sala de aula. O intertexto também foi abordado.

Uma das prioridades de Cereja é formar leitores para todo o tipo de texto, não apenas para o literário. Em entrevista à FIEB, o professor explicou sobre o que pode ser feito nas aulas de Português para o desenvolvimento do que chama de competência leitora.

“Acho que as aulas de Língua Portuguesa hoje devem contemplar diferentes linguagens e, por meio delas, promover leituras e desenvolver competência leitora. Cinema, cartuns, quadrinhos, gêneros jornalísticos, publicidade, etc., e também, claro, os gêneros da literatura (teatro, contos, crônicas, romances, etc.). Tudo isso contribui definitivamente para a formação de leitores competentes”, diz.

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) foi citado várias vezes durante a palestra. Isso porque, além da importância que sua prova tem para as escolas e para os estudantes, é totalmente baseado na inteligência e na construção do conhecimento, principalmente na capacidade de interpretar e contextualizar os problemas vividos no cotidiano. Sendo assim, exige um preparo abrangente, que envolve ler bastante e de tudo.

O público presente era formado de professores de várias disciplinas, não apenas de Língua Portuguesa. Essa miscigenação chamou a atenção de Cereja. “Geralmente falo a profissionais de Língua Portuguesa e a pedagogos envolvidos com a educação básica. Mas não é de espantar que professores de outras áreas tenham participado e se interessado. Como disse no evento, a leitura é uma arquicompetência, que perpassa todas as atividades, de todas as áreas. Para tudo o que se faz na escola é necessário ler; logo, é natural que esses profissionais também se interessem pelo tema”, justifica.

Durante todo o tempo houve interação entre o palestrante e os professores, que iam trocando experiências e pedindo orientação ao especialista. Isso enriqueceu ainda mais Encontro. “Gostei do público. Pena que o tempo foi tão curto, pois, se mais longo, teríamos oportunidade de fazer algumas oficinas e interagir mais. Leitura é realmente um assunto envolvente, principalmente quando nos dispomos a ler junto com outras pessoas e entendermos melhor o processo da leitura”, declarou Cereja.

Para encerrar, o convidado sorteou exemplares de seus livros mais recentes.