Psicóloga da PUC bate papo com pais sobre obesidade infantil
Segundo pesquisas, a obesidade infantil já atinge 15% dos pequeninos. O número tem preocupado muito os especialistas, já que a chance de uma criança com sobrepeso em idade pré-escolar se tornar um adulto obeso é de 30%. E se ela chegar à adolescência nessa condição, o risco aumenta para 50%. Além do impacto na autoestima que isso pode causar, há um grande risco à saúde. O excesso de peso aumenta chances de problemas ortopédicos, infecções respiratórias e de pele, doenças cardíacas etc.

A melhor solução para enfrentar essa situação é promovendo uma reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos. Nas escolas da FIEB, muito tem sido feito no sentido de educar para novos hábitos. Profissionais da saúde e da equipe pedagógica orientam e ensinam sobre como manter uma vida mais saudável com a ingestão de alimentos realmente nutritivos e a prática de esportes. Mas é preciso ir além.

Foi por isso que o Departamento de Gestão da Saúde Escolar da FIEB, aliada aos pais dos alunos, realizou uma parceria com a Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC), campus Barueri, já no primeiro semestre deste ano. Em encontros periódicos, estudantes e professores de psicologia discutiram junto aos jovens sobre diversas questões comportamentais, incluindo aí a obesidade.

“É importante entender que não se trata de uma psicoterapia em grupo ou de alguma outra forma de tratamento psicológico. É uma proposta de discussão em grupo que poderá ter um efeito terapêutico para os participantes”, esclareceu na época da formação dos grupos a cirurgiã-denstista Ana Paula Martinelli, coordenadora do Departamento de Saúde Escolar da FIEB.

Para fechar o ano e após encontros tão produtivos para profissionais e alunos, a FIEB promoveu um bate-papo entre a coordenadora do curso de Psicologia da PUC, Profª. Drª. Ana Laura Schliemann, junto aos pais e a quem mais estivesse interessado, enfatizando a questão da obesidade infantil. A palestra aconteceu no dia 8 de novembro, à noite, na EEFMT Profª. Maria Theodora Pedreira de Freitas (Alphaville).

“Hoje nós sabemos que a alimentação não é única e exclusivamente o ato de comer. Hoje a alimentação é vista muito mais como uma forma de afetividade, de apoio psicológico”, justifica a Drª. Ana Paula.

Ana Laura utilizou fotos e vídeos para demonstrar como a parceria entre pais e filhos é importante nessa questão, já que o problema da obesidade encontra barreiras dentro de casa. Segundo ela, hábitos familiares e até culturais transcendem o tempo e acabam interferindo na alimentação da criança. Muitos pais tentam compensar sua ausência e até seu cansaço com alimentos da moda, geralmente ricos em açúcares, gorduras e pouco nutritivos.

Além disso, a questão afetiva foi também destacada, já que, de acordo com a especialista, a criança busca suprir carências e deficiências em doces e outras guloseimas, o que só comprova a tese de que o estado emocional pode, sim, levar à obesidade. Ana Laura citou sentimentos como medo, insatisfação, timidez, frustração, revolta e outros como responsáveis por muitos dos transtornos alimentares que se tem visto atualmente e que vão além da obesidade. É o caso da bulimia e da anorexia.

“Botar limites é a grande função dos pais”, disse a psicóloga. Mas ela também explicou que essa não é uma missão solitária, já que lidar com a questão é um trabalho em equipe: deve contar com toda a família e também com a escola. Além disso, o carinho, a atenção, o abraço, o ato de brincar junto foram pontos levantados durante toda a conversa como essenciais para promover a aproximação entre pais e filhos e suprir boa parte das carências apresentadas pelas crianças.

Após as explicações, Ana Laura passou aos presentes um panorama do trabalho que foi desenvolvido ao longo do ano com os alunos da FIEB. Os pais manifestaram-se a favor da iniciativa e registraram interesse em continuar participando. No final, palestrante, membros da escola e convidados conversaram de forma muito espontânea. Muitos deles deram relatos sobre as melhoras que perceberam nos filhos e a forma como essa troca refletiu dentro de casa, com toda a família.