Sim, para muitos deles, a escola deixou saudade, o que é até lisonjeiro para toda uma equipe que trabalha, incansável, ano após ano, para oferecer o melhor da educação aos cidadãos locais. Um trabalho que acaba fazendo mais do que se propõe: compõe boa parte da história de vida de crianças e jovens com outras lições que não estão nos livros.
“A escola é muito mais do que ler e escrever. Acredito que a escola é a nossa preparação pro mundo. Na escola a gente trabalha coisas muito importantes: a convivência e o respeito. Se um jovem não tem essas noções, esses princípios, ele nem sequer consegue viver em uma sociedade na qual diferenças e opiniões distintas são tão presentes. A escola, a meu ver, não nos prepara pro vestibular, mas sim pro mundo”, ressalta a ex-aluna da EEFMT Profª. Maria Theodora Pedreira de Freitas (Alphaville), Thieny Moltini, 22 anos, hoje no 4º ano do curso de jornalismo.
“A Fieb foi muito boa pra mim. Cresci muito, vivi muitas coisas graças a ela. A ligação que eu levo? Levo a saudade de um ambiente que eu gostava muito, de pessoas com quem eu gostava muito de conviver. As vezes sinto um pouco também, eu poderia ter usufruído muito mais“, afirma a universitária.
Apesar de bastante jovem, Thieny já aprendeu sobre as diversas faces da saudade. Quem diria que um dia sentiria tanta falta da escola? E o tempo todo essa saudade se manifesta entre os jovens que concluíram seus estudos na FIEB. Nas redes sociais, em contatos por e-mail ou telefone, em conversas informais e até nas visitas gentis que muitos deles, as vezes até acompanhados de seus pais, fazem à escola que os acolheu por tantos anos.
“A escola propicia aos alunos o ler, o escrever, os conteúdos de praxe com respeito, educação, simpatia; ensina a conviver em sociedade, a tomar decisões importantes. A escola, por fazer parte do início da formação de qualquer ser humano, traz a base do crescimento da pessoa”, diz Marcelo Salustiano, 25 anos, que estudou na Escola Maria Theodora da 2ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio.
Hoje, já formado em Nutrição, Marcelo garante que as boas lembranças não se resumem apenas aos colegas. “Tenho muita saudade dos professores, das inspetoras, das festas, do contato com amigos e amigas diariamente. A minha principal lembrança é a educação, o meu desenvolvimento, já que esses 12 anos em que estive na escola marcaram a minha transição das fases criança, adolescente e início da fase adulta”, destaca.
Não há como deixar de se emocionar com as recordações que cada um desses alunos guarda. São momentos especiais, instantes específicos que perduram em suas mentes e que garantem um lugar especial em seus corações só para a escola e a fase da vida que ela representa. Gabriela Suzuki Mariano, de 24 anos, ex-aluna do curso técnico em Informática do ITB Brasílio Flores de Azevedo (Jd. Belval), descreve esses instantes como ninguém.
“Além dos amigos, a coisa de que particularmente sinto falta é a vivência dos alunos e funcionários no espaço. Trata-se do ambiente do colégio, sobretudo no intervalo, em que me sentava no chão do pátio, apoiava no pilar e lanchava, rindo com os amigos e observando as pessoas de outras turmas passarem pelos corredores conversando descontraídas. Essa imagem que ainda me soa familiar; hoje, para além da nostalgia, entendo aqueles momentos como sendo de absoluta felicidade”, conta Gabriela, hoje formada em Arquitetura e Urbanismo pela USP.
Mais do que saudade, orgulho
Se sentir saudade da escola já é motivo de festa para professores, diretores, orientadores e todos que formam essa equipe, quem dirá saber do orgulho que esses jovens declaram por terem estudado em alguma das escolas mantidas pela FIEB. Para Gabriela Suzuki, passar no vestibulinho do ITB foi sua primeira conquista acadêmica, já que as vagas são sempre muito concorridas. Mas não só por isso. Segundo ela, também “por ser um colégio reconhecido regionalmente pela qualidade de seu ensino e pela experiência de vida adquirida junto a professores, funcionários e amigos”.
Para a ex-aluna Natália Maria da Silva, 22 anos, que cursou o Ensino Médio na Escola Maria Theodora, foi inevitável a comparação. “No começo eu achava tudo normal, estava mais uma vez em mais uma escola de Alphaville. Com o tempo e a convivência vi que ela era diferente das que eu tinha passado, tinha uma diversidade peculiar, alunos de todas as classes tendo o mesmo aprendizado. Sobre a lição, levo a da convivência. A adolescência é um período de descobertas e aceitações, e aprendi a conviver e respeitar muito as diferenças das pessoas porque via muito desse respeito na FIEB”, declara a jovem, hoje formada em jornalismo.
Esse diferencial citado pelos alunos também se destaca no depoimento de Wagner Balieiro, 19 anos, que estudou na Escola Maria Theodora e no ITB Profª. Maria Sylvia Chaluppe Mello (Engenho Novo). “Sinto orgulho em dizer que estudei na FIEB porque ela é um diferencial dentre as outras. Uma das lições mais valiosas que vou levar da escola é que com respeito, conhecimento e perseverança o aluno é capaz de alcançar seus objetivos”, declara.
Para Bruna Ellen Damasceno, de 19 anos, ex-aluna da Escola Maria Theodora e do ITB do Engenho Novo, a lição mais valiosa deixada pela FIEB foi a de que “o mundo é muito pequeno ou muito grande, depende do ponto de vista, você só tem que saber aproveitá-lo de qualquer forma”. “Sem dúvidas”, completa a jovem, “a FIEB mudou a minha vida. Pode soar meio clichê, mas é a verdade, quem me conhece, sabe”.
A ex-aluna destaca um dos projetos criados pelo ITB como uma experiência enriquecedora e inesquecível. Trata-se da Páscoa Solidária, que previa a arrecadação de dinheiro para a compra de ovos de páscoa que foram destinados a instituições beneficentes. “O projeto acabou se expandindo e tornando-se uma doação de carinho e atenção, não apenas de ovos. Ver o sorriso no rosto daquelas crianças que visitamos não tinha preço”. Nesse ano, os alunos doaram mais de 1000 ovos de páscoa. Esse mesmo projeto foi citado pelos ex-alunos Wagner Balieiro e Marcelo Salustiano – este último participou da campanha também realizada na Escola Maria Theodora. “Foi muito gratificante pra mim”, resume.
Aluno também deixa saudade
Não é só a escola que deixa saudade, não. Apesar do convívio com milhares de jovens ao longo da vida profissional, professores garantem que cada um os marca de alguma forma diferente e especial.
“Tenho saudade de todos”, responde, logo de cara, a assessora de coordenadoria técnica pedagógica Walquiria Oddone Paoletti. Ela está na FIEB desde o primeiro dia de aula, em 1994, portanto, guarda muitas lembranças dessa galerinha que chega criança e sai praticamente adulto. “Alguns marcam pelo olhar sempre atento e curioso, outros pelo interesse na aula, outros pelo modo como abraçam as causas sociais, outros porque são um desafio profissional”, detalha.
A orientadora educacional da Escola Maria Theodora, Maria Isabel de Mani Piloto, há 11 anos na FIEB, concorda. “Cada pessoa é um ser diferente e insubstituível e todo aluno deixa uma lembrança”, diz. Tanto que ela descreve a sensação a cada novo ano, com novas turmas iniciando, como uma surpresa, uma nova descoberta e o começo de uma nova relação.
Marcos Antonio dos Santos, coordenador do curso técnico em Informática para Internet no ITB Profª. Maria Sylvia Chaluppe Mello (Engenho Novo) e agora supervisor técnico da FIEB, afirma, sem titubear, que cada aluno deixa sua marca, principalmente os mais dedicados “Se você faz a sua parte com dedicação, o seu trabalho deixa marcas positivas que dificilmente, com o passar do tempo, deixarão de ser lembradas”, destaca.
Mas, e a despedida? Marcos, por exemplo, está na FIEB há 15 anos, portanto, deve colecionar muitas saudades. Como será, para um professor, a despedida? Afinal, todos os anos, nas formaturas, elas são inevitáveis. Para o supervisor, apesar de representar o fim da convivência diária, a formatura é “perceber a transformação que há nessa fase da vida de cada aluno; é acreditar que eles passaram a ter um olhar diferenciado do mundo”.
Os dicionários resumem a palavra saudade como “lembrança grata”, “Boas lembranças ou recordações”. O que leva à ela depende do ponto de vista de cada um, e claro, de como esse tempo passado foi aproveitado. Para uma escola – ou uma Fundação inteira, como no caso da FIEB, que responde por oito unidades escolares – deparar-se com declarações assim é motivo de orgulho, porque representa o retorno positivo por um árduo trabalho que se constrói dia após dia e não tem a pretensão de terminar nunca.
Para Marcos Antonio, o que faz uma escola despertar saudade em seus ex-alunos é justamente “ser verdadeira em suas ações, sem deixar de ser exigente nos compromissos que deve haver entre todos da comunidade escolar”. O que, para Walquiria, “é exatamente o que a FIEB faz: acolhe seus alunos como filhos amados, cuida, ensina e divide muito amor para somar na vida de cada um”.